vá de retrô.

a criação atual desde a ponta do lápis do croqui até o fim da cor que adentra a agulha, é linha, é moda e história. um estilista – ou mesmo costureira sem freguesia –  não prega nenhum botão sem se remendar com o passado antes.

a moda vestiu e traçou diversas possibilidades criativas que, somadas a outras futuras práticas, fizeram com que a produção ganhasse várias interpretações e permissões, tornando-se tão multifacetada quanto à criatividade e o manequim permitissem – segundo o teórico francês jean baudrillard, o que possibilita estas ações é o fato de os signos da moda possuir a forma cíclica, e acabarem por abolir a linearidade de suas composições, ainda que superficialmente. o vintage, inicialmente, era qualquer roupa de uma época passada ou que ficou da sua tia-avó para você numa divisão de bens pouco justa após a morte dela.

agora, o vestido estampado e aqueles óculos tartaruga “bicudos” são os verdadeiros achados do brechó. uma peça do passado ganhou a característica de ser verdadeira expressão de moda – uns 20 anos depois, como no caso dos ray-bans wayfarers e aviator – moda antes entre os taxistas sujos e malandros, e os bad boys dos enlatados americanos apenas.

por isso, a influência e significação de algumas criações da moda são desmedidas em sua conceituação, e ultrapassam a coerência da fita métrica e a objetividade comercial da agulha, de forma que desenham ainda sob a mesma linha e processo de produção.

então, o reaparecimento destes itens e artigos – assim como as tendências retrô & vintage – é conseqüência da sucessão e despertar de idéias de um espírito que intercede na ponta da agulha. não é nenhuma coleção de idéias absurdas, está tudo bem cortado e resolvido. os happenings da moda são quem delimitam a concepção do tempo e o conceber do vestuário, não o pensamento crítico e com mau-hálito da crítica de moda que vêem o retrô como saudosismo barato e liquidação de brechó.

o espírito ou este clima que intercede sobre os estilistas inspirando-os idéias do arco-da-velha, talvez não seja mais do que um grande brechó de idéias, com araras e cabides infinitos, tudo muito colorido e com muito brilho – compondo um estoque fabuloso de ponta a ponta – e que faz liquidação de idéias e estilos pelas cabeças e chapéus dos estilistas atualmente. esse clima de cultura e tendências que conduz as idéias e modelos pela passarela age de diversas formas e em diferentes épocas. Se agora ele inventou o retrô & vintage, talvez na próxima temporada ele inspire outra hype. não é possível saber agora, e nem adianta perguntar para o Valentino.

a verdade é que no guarda-roupa da moda o pretinho básico denota experiência e percepção, e as pérolas dizem que nada existe ou existirá sem ser percebido. a modelagem é trabalhada assim para abordar o retrô não como uma queda de criatividade ou falta de inovação, mas como um revestimento das épocas anteriores, alinhando o cabimento e justificativa da moda como um ciclo, flertando sempre com a reinvenção.

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