Um paraíso colorido

Cor. Se uma palavra-chave pudesse definir a Milan Fashion Week (MFW) que decorreu entre 18 e 23 de Setembro, seria essa.
O cenário paradisíaco colorido de Dsquared2

O cenário paradisíaco colorido de Dsquared2

Dsquared2 foi o primeiro grande nome a abrir a Semana da Moda de Milão e atestou isso mesmo. Com um bar numa praia paradisíaca como cenário, fez desfilar sobre a passerelle um conjunto de peças impregnadas de cores garridas, curtas e sensuais, dotadas de uma grande feminilidade – como, por exemplo, corpetes que realçavam o busto. Looks complementados por um batom cor-de-laranja que conferia um toque ainda mais exótico ao conjunto.

Dsquared2

Dsquared2

No mesmo dia, Alberta Ferretti também apresentou as suas criações ao público, inspiradas, segundo a própria, pela luz do sol. Tal traduziu-se num conjunto de flores cor-de-laranja que ornamentam delicados vestidos compridos e folhados. Foi igualmente possível ver saias com riscas de várias cores, numa colecção que estava sem dúvida cheia de vida.

Alberta Ferretti

Alberta Ferretti

Abordagem semelhante teve a casa Aquilano.Rimondi, revelando uma explosão de cor e artística, derivada das gravuras que pareciam estar replicadas em saias e camisolas compridas e cintadas.

Aquilano.Rimondi

Aquilano.Rimondi

Se a colecção de Fendi tivesse o nome de um livro, seria certamente 50 Tons de Salmão. Isto porque o vermelho, o laranja e o salmão compuseram grande parte do esquema de cores escolhido pela casa italiana. A sobreposição de peças e os vestidos em organza divididos em diferentes camadas de tecido e cor davam a ideia de que alguém andava a tentar explorar (com sucesso) a sua veia artística.

fendi rtro coolage milan fashion week 2013

Fendi

O legado da cor continua em Missoni, embora nas suas propostas assuma um carácter mais paisagístico. Assim, surgiram vestidos que descrevem um cenário em que gaivotas sobrevoam um céu branco, sobre um mar superficialmente verde e profundamente azul. Ou em que vales de montanhas se abrem de par em par. Além disso, a combinação de diferentes tipos de padrões riscados, típicos em Missoni e igualmente presentes nesta apresentação, conferia uma sensação de assimetria divertida e descontraída.

Missoni

Missoni

Mais conservadoras foram as propostas de Bottega Veneta, que optou por uma paleta de cinzentos e pretos, com vestidos e casacos em envelope largos e com volume mas de cintura marcada.

Bottega Veneta

Bottega Veneta

Uma interpretação minimal partilhada por Marni, que arriscou pouco numa colecção em que predominam as peças compridas: vestidos e saias abaixo do joelho, em cores sóbrias, como o preto, o vermelho ou o branco.

Marni

Marni

Versace pretendia, nas palavras de Donatella, libertar a mulher Versace bem como conferir luxo a peças básicas. É assim que calções e t-shirts surgem em formas femininas e ajustadas ao corpo, em cores básicas como preto, branco ou azul pastel. Os padrões viram-se pouco.

Versace

Versace

Igualmente femininas e ajustadas ao corpo foram as peças apresentadas por Emilio Pucci, embora com uma abordagem conceptual diferente. Os padrões foram reis, sobretudo os étnicos e exóticos, fruto da inspiração que o criador teve quando esteve em Marrocos.

Emilio Pucci

Emilio Pucci

A feminilidade e a elegância continuam com Roberto Cavalli, de onde sobressaíram peças elegantes mas minimais, sobretudo em cinzento claro. Sandálias à gladiador, vestidos compridos em tons claros com efeito dégradé e, a peça protagonista, o casaco prateado de motoqueiro.

Roberto Cavalli

Roberto Cavalli

Feminilidade essa partilhada pelas propostas de Gucci. Pela passerelle desfilaram vestidos compridos e transparentes, com acentuados decotes em V. A primazia cromática foi conferia aos tons escuros e sedutores, como cor de vinho e preto.

Gucci

Gucci

A cidade é uma selva urbana e Prada captou-o muito bem na sua colecção. No que pareceu ser uma fusão harmoniosa dos conceitos de vegetação e Pop Art, a célebre marca apostou fortemente no verde escuro – assim como em peças como casacos de pêlo imbuídos de padrões característicos de Andy Warhol; vestidos texturados que parecem ter sido invadidos por um arco-íris de cores e incrustados com peças de bijuteria, como que o resultado de uma aula de trabalhos manuais.

Prada

Prada

Preparados para uma viagem no tempo divertida e nostálgica? A casa Moschino completa 30 anos e celebrou em grande. Tendo aberto o desfile com Gloria Gaynor a cantar “I am what I am”, a marca italiana fez desfilar o que a Vogue britânica apelidou de “catálogo dos melhores êxitos revisitados”. A passerelle viu-se assim invadida por propostas tão diferentes como uma túnica onde pode ler-se Holy Chic; um    fato rosa de padrão de jornal; Gloria Gaynor num vestido polka dot vermelho enquanto segura o saco do pão fresco; saias hippie; laços vermelhos e orelhas de coelho na cabeça; uma freira com um grande laço branco na cabeça… Na verdade, houve uma natureza dualista presente em todo o desfile, com a criadora Rossella Jardini a apresentar as modelos duas a duas, num binómio que opunha uma good girl a uma bad girl. Foi sem dúvida uma das colecções mais teatrais, coloridas e divertidas, em que as modelos desfilaram com atitude e pareciam genuinamente estar a divertir-se.

Moschino

Moschino

O penúltimo dia viu desfilar a nova colecção de Dolce & Gabbana. Como qualquer artista que parte dos desafios pessoais para dar corpo à sua produção artística, a dupla italiana ter-se-á inspirado no escândalo fiscal em que se viu recentemente envolvida para desenhar as suas propostas para a Primavera-Verão de 2014. Só isso poderá explicar as múltiplas moedas antigas que se viram espalhadas em vestidos e acessórios, num regresso às raízes greco-latinas. Se o dourado foi uma das apostas seguras da dupla, o vermelho também agarrou a atenção dos espectadores, sobretudo quando apareceu num vestido de verniz, marcado por um cinto onde se distinguia visivelmente o rosto de César.

Dolce & Gabbana

Dolce & Gabbana

A encerrar a MFW, Giorgio Armani apresentou uma mulher clássica, com os seus conjuntos tweed de casaco e calção cinzento claro. O azul e o rosa em tons néon também marcaram presença em vestidos de manga comprida ou saias um pouco acima do joelho.

Giorgio Armani

Giorgio Armani

Quer se opte por um registo mais brincalhão ou mais sóbrio, uma coisa é certa: com uma paleta de cores tão rica e diversificada, a próxima estação tem tudo para ser cheia de vida.

O que acharam das colecções?

Quais as vossas favoritas?

Comentem connosco ;)

Fotos

Por Margarida Cunha

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