Uma Maçã instrospectiva

Nova Iorque é a grande anfitriã de um dos períodos mais excitantes do ano: as Semanas da Moda. É na New York Fashion Week (NYFW) que começam a desfilar as primeiras propostas da próxima estação. Tendo decorrido de 5 a 12 de Setembro, o que nos terão reservado os grandes criadores?
A passerelle soturna de Marc Jacobs

A passerelle soturna de Marc Jacobs

Herve Leger apresentou vestidos gráficos com ilusão de óptica, bem como casacos em pele conjugados com calções curtos. Os corpetes em cabedal foram uma constante, conferindo um toque de rigor mas simultaneamente de elegância.

Herve Leger

Herve Leger

Num dos desfiles mais esperados, Victoria Beckham fez desfilar a sua colecção mais descontraída. Embora mantendo a sobriedade nos cortes e nos tecidos, ousou um pouco mais nas cores, tendo incluído o fúcsia na sua paleta. Conjugado com o branco, traduziu-se em peças simultaneamente elegantes e desportivas.

Victoria Beckham

Victoria Beckham

Delpozo levou-nos até ao seu jardim, onde nos mostrou vestidos de vários cortes e comprimentos decorados alegremente com diversos tipos de flores: das rosas aos girassóis, as peças conseguiram imergir-nos completamente no espírito da Primavera.

Delpozo

Delpozo

Numa colecção que conferiu mais primazia à texturas, o mais jovem vencedor do “Project Runway”, Christian Siriano, apostou fortemente nos folhos e nas plumas. Com flores em relevo a descerem alegremente pelos braços a pernas dos vestidos de organza, o norte-americano criou um conceito multi-sensorial que tanto agrada à vista como ao toque.

Christian Siriano

Christian Siriano

Flores que, em vermelho, pautaram igualmente as criações de Naeem Khan, que fez desfilar vestidos de diversos cortes, comprimentos e padrões – como riscas e flores brancas. Compridos e com elegantes decotes em V ou apenas com o ombro destapado, Khan encontrou o equilíbrio entre o conforto e o glamour primaveril.

Naeem Khan

Naeem Khan

Reem Acra apostou fortemente numa componente gráfica, fazendo regressar o tradicional padrão pied de poule, que surgiu em laranja e em preto e branco. Os vestidos propostos eram sensuais e glamorosos, pelo joelho ou compridos, nunca curtos.

Reem Acra

Reem Acra

Numa abordagem completamente diferente, Rodarte inspirou-se na cultura de rua para criar um look desportivo, com bonés para trás, calções curtos e os padrões leopardo e zebra a aparecer em coletes, casacos ou bordas. Para complementar os looks, não faltaram os cintos pretos em pele, decorados com tachas, e correntes ao pescoço.

Rodarte

Rodarte

Igualmente divertido e sexy foi o conceito escolhido por Betsey Johnson, que fez desfilar as modelos com perucas cor-de-rosa – o que nos lembrou imediatamente de Nicki Minaj. Naquela que foi porventura a colecção mais Pop da NYFW, Johnson fez com que a pureza do branco contrastasse com  a ousadia de peças como tutus, corpetes e vestidos curtos. Não faltaram também vestidos curtos floridos com folhos às camadas e chapéu a condizer. Mas sem dúvida que conjuntos em branco total foram os protagonistas. Seguidos do padrão leopardo, que apareceu em casacos e acessórios como luvas, cintos e malas.

Betsey Johnson

Betsey Johnson

Se ainda acreditam em contos de fadas, a colecção de Anna Sui é para vocês. Criando como que uma heroína hippie ou uma bondosa fada, as modelos da criadora pareciam ter saído de uma obra fantástica, com materiais delicados como o cetim, o veludo e a organza a produzir vestidos decorados por borboletas ou padrões étnicos.

Anna Sui

Anna Sui

Igualmente escapistas mas mais românticas e glamorosas surgiram as criações de Oscar de la Renta, que apostou em vestidos de gala de diversas cores e padrões, por vezes com saias em sino que conferiam a ideia de volume e movimento. Desde um vestido curto completamente florido em camadas a um elegante vestido comprido em creme que se abre no peito, é bem provável que uma ou várias destas peças apareçam brevemente nas passadeiras vermelhas.

Oscar de la Renta

Oscar de la Renta

Jeremy Scott foi o criador mais divertido e colorido de todos. Desde um vestido completamente decorado com as barras coloridas da televisão, passando por outro, curto, em cabedal preto e justo ao corpo, com fechos (que nos lembra a Catwoman); até a uma camisa preta salpicada por formas que nos lembram o jogo Pacman e a uma saia verde garrida que parece ter sido arrancada a um crocodilo (as escamas estão lá!), Scott deve ter-se divertido imenso ao ir buscar as influências mais coloridas e visualmente apelativas da cultura Pop.

Jeremy Scott

Jeremy Scott

Ralph Lauren entrou em cena para nos provar que o look colegial pode ser simultaneamente sóbrio e geek. Com meias pretas até ao joelho e conjuntos de calções e camisolas em que o branco e o preto se uniam em diversas formas e feitios, Lauren conseguiu criar uma multiplicidade de looks a partir do esquema de cores (ou não-cores) mais básico. Numa espécie de intelectual chic, o criador apresentou ainda looks masculinos de cortes bem vincados e gravata ao peito – sempre jogando com o preto e o branco.

Ralph Lauren

Ralph Lauren

O branco foi igualmente uma das apostas fortes de Calvin Klein, que apresentou aquela que foi provavelmente a colecção mais elementar e minimal da NYFW. Dedicando-se às cores básicas como o cinzento, o já referido branco ou o preto, predominaram peças com poucas costuras e cortes simples, como vestidos e saias pelo joelho.

Calvin Klein

Calvin Klein

A fechar a Semana da Moda de Nova Iorque, Marc Jacobs encerrou a passerelle de forma algo soturna. Optando por uma paleta característica dos meses frios, conferiu protagonismo a tons escuros, como o verde musgo e a cor de vinho. Os padrões foram uma constante, sobretudo as folhas. As golas altas e os braços cobertos por chiffon conferiam leveza ao resto dos vestidos coloridos mas escuros. No entanto, uma das peças mais proeminentes foram os casacos à matador, que surgiram em vermelho, verde e azul, em modelos loiras platinadas, de cabelos curtos.

Marc Jacobs

Marc Jacobs

Embora promissora, a NYFW foi pautada por alguma contenção criativa – quem sabe resultante da contenção financeira dos tempos actuais.

Ousadia e diversão foram estados de espírito genericamente ausentes, tendo-se optado muitas vezes pela sobriedade e pela elegância contida.

Talvez seja apenas um reflexo da mentalidade americana da pós-modernidade, mais reservada e defensiva. Ou talvez os criadores se tenham fartado das interpretações muitas vezes previsivelmente coloridas e floridas da estação.

De qualquer forma, algo ficou claro: nem só de flores e sol vive a Primavera-Verão.

Vejam as nossas reviews das Semanas da Moda aqui:

Londres

Milão

O que acharam das propostas da NYFW?

Qual a vossa colecção favorita?

Deixem as vossas impressões nos comentários.

Fotos

Por Margarida Cunha

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