Elle britânica quer tornar o Feminismo atraente para as novas gerações

Feminismo. Aquela palavra colossal que inspira, dependendo do receptor, respeito, esperança e temor.

Na sua mais recente edição, a Elle UK pediu a 3 agências de publicidade – a Mother, a Brave e a Widen & Kennedy –  para colaborarem com 3 iniciativas feministas, no sentido de criarem uma campanha que renove a imagem do feminismo, tentando apelar à mulher moderna. Nasce assim o projecto “Rebranding Feminism” – um trabalho executado voluntariamente pelas agências.

O resultado são 3 campanhas focadas em diferentes desafios do feminismo actual: a identidade do feminismo, a discriminação salarial e os estereótipos.

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Este não é um debate novo e, à semelhança do que a Marie Claire britânica fez na sua edição de Novembro de 2007, com o artigo “Can we rebrand feminism?”, com alguma regularidade surgem artigos e inquéritos que colocam em causa o actual estado do movimento que luta pelos direitos das mulheres.

Algo que não surge do nada: de acordo com a editora-chefe da Elle UK, Lorraine Candy, na redacção aperceberam-se de que as mulheres jovens estão confusas quanto ao significado do feminismo e quanto à sua relevância na vida delas. Sublinha ainda que, sendo as mulheres um grupo demográfico politicamente apetecível, perguntou-se se dar um novo rosto ao feminismo poderia encorajar as mulheres a pensar acerca dos seus direitos. E conclui: “Creio que o debate é fundamental e que estamos [a Elle UK] numa posição privilegiada para tentar alcançar o público que o feminismo deveria ajudar”.

feminismo meme rtro

Não é para menos. Além dos estereótipos populares (“as feministas são extremistas e não rapam os pêlos”) e das diferenças salariais (no Reino Unido, as trabalhadoras ganham em média menos 15% do que os seus colegas), o feminismo vê-se actualmente a braços com uma geração que, por desconhecimento ou desinteresse, ignora os direitos que o movimento lhes tem conquistado ao longo da História.

Só assim pode justificar-se os resultados de um inquérito conduzido pelo Netmums – site britânico dedicado às mães – que aponta que 6 em 7 mulheres não se consideram feministas.

Embora a iniciativa da Elle seja encarada por muitos como de louvar – e sem dúvida que fomenta o debate, pois o tema já chegou a grandes sites de Comunicação, como o Brand Channel e o Media Week – nem todas as plataformas feministas ficaram agradadas com a natureza da campanha.

Segundo o site de referência Jezebel, tornar o feminismo numa marca não é a solução, pois tal implica que o movimento se está a render perante a cultura dominante, em vez de a desafiar. Considerando que a sociedade de consumo não tem abonado a favor das mulheres, remata que não é a tornar o feminismo numa comodidade que se desafiam as estruturas de poder. Além disso, questiona a legitimidade de uma revista de moda primordialmente branca, que abusa dos retoques de imagem e pouco faz para promover a diversidade de corpos nas suas páginas, para redefinir o feminismo.

Recordamos que a RTRO abordou o tema do feminismo e a sua pertinência na actualidade no nosso número 9, de Abril de 2011. (Re)leiam o artigo na íntegra no Issuu, clicando na imagem abaixo.

rtro feminismo

O que acharam da iniciativa da Elle UK?

Consideram que o feminismo precisa de uma nova imagem?

Por Margarida Cunha

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