Especial ARTPOP – Uma lição de promoção, arte e a review

Finalmente chegou o dia em que ARTPOP conhece oficialmente a luz do iTunes do dia – apesar de ter sido disponibilizado em stream completo há alguns dias.

img-1016393-lady-gaga

A RTRO acompanhou, ao longo dos últimos meses, a divulgação e promoção da nova experiência musical de Lady Gaga e partilha convosco um Especial desdobrado em 3 frentes: o que ARTPOP pode ensinar-nos acerca de promoção de produto; capas alternativas do álbum magistralmente criadas pelos fãs; e, finalmente, a nossa review.

LIÇÕES DE PROMOÇÃO

1. Ser omnipresente

De entrevistas, passando por actuações em programas de TV, até a tweets e a marketing apoiado na psicologia invertida, ARTPOP foi um dos termos mais discutidos dos últimos tempos, pois Gaga tudo fez para o conseguir – incluindo uma aplicação interactiva para Android e iOS.

84a79f1f-ad3f-49d4-9b38-7b26a7c041dc-460x345

Seja bem ou mal, o que fica para a História é que foi um dos álbuns mais esperados e antecipados dos últimos anos.

2. Não deixar o público “arrefecer”

“Applause” ainda passa nas rádios como novidade e já Gaga divulgou o segundo single. Inicialmente era “Venus” mas passou a ser “Do What You Want”, entretanto lançada, e que obteve bom feedback por parte do público.

1

Pelo meio, o público já pôde ouvir “Manicure” e “Mary Jane Holland”. Uma oferta tão variada que impede que as pessoas se esqueçam do álbum, mantendo sempre ARTPOP on top of the mind.

3. Despir-se de preconceitos

Gaga dá tudo por tudo pela sua arte, incluindo o seu corpo – algo bem patente nas fotos promocionais do álbum e nas sessões fotográficas realizadas este ano.

E o que dizer da capa do single “Do What You Want”? Para quem ainda não tinha percebido, Lady Gaga’s back!

Lady-Gaga-R.-Kelly-Do-What-You-Want-MP3-Listen

4. Revisitar os clássicos

Porque a nostalgia é um sentimento comum a todos, recuperar elementos clássicos da Arte e da Cultura funciona sempre. Desde as múltiplas referências culturais de “Applause” até à inspiração em Boticcelli e na deusa Venus, Gaga soube mergulhar no legado clássico para o trazer de novo à superfície da contemporaneidade.

930887809_700

5. Gostar do que se faz

Gaga já disse que adora actuar e qualquer performance sua o denuncia. Muito do seu sucesso parte daí: a partir do momento em que adoramos algo, faremos de tudo para o conseguir e partilhar com o mundo. Ser apaixonado pelo que se faz é, por isso, uma condição imprescindível do estatuto de ícone Pop da Mother Monster.

6. Organizar uma festa de lançamento de arromba

O que hoje em dia implica ter VEVO e transmitir a festa para todo o mundo, enquanto se proporciona a uma selecção da população nova-iorquina um mini-concerto. ARTrave foi o evento de apresentação do álbum e presenteou o público com 8 performances: “ARTPOP”, “Venus”, “MANiCURE”, “Sexxx Dreams”, “Gypsy”, “DOPE”, “Applause” e “Do What U Want”.

2 3 9

ARTE + POP + FÃS = CAPAS ALTERNATIVAS DE ARTPOP

Os sempre criativos fãs de Gaga, apoiados pelas ferramentas audiovisuais dos dias de hoje, produziram obras de arte(pop), ao recriarem capas alternativas do novo álbum da sua musa. Confiram algumas em baixo.

ARTPOP_2 ARTPOP-lady-gaga-31838214-700-642 ARTPOP-lady-gaga-33613242-600-600 ARTPOP-lady-gaga-34300513-500-656 artworks-000054633578-0jdg77-crop aXOPkgN LADY-GAGA-FAN-MADE-ART-ARTPOP-BABADO-CONFUSAO-QUERIDA-11 LADY-GAGA-FAN-MADE-ART-ARTPOP-BABADO-CONFUSAO-QUERIDA-13 LADY-GAGA-FAN-MADE-ART-ARTPOP-BABADO-CONFUSAO-QUERIDA-17 LADY-GAGA-FAN-MADE-ART-ARTPOP-BABADO-CONFUSAO-QUERIDA-111 lady-gaga-princess-high-artwork-fan

ARTPOP – REVIEW

Gaga

Será que ARTPOP cumpre a promessa de fundir Arte e Pop?

A polémica “Aura”, que já se chamou “Burka”, proclama a emancipação feminina, e fá-lo com um toque de Infected Mushrooms – que participaram na produção da faixa. A celebração do feminino prossegue em “Venus”, uma ode à deusa do amor e porventura uma das faixas mais contagiantes do álbum.

Já “G.U.Y.” confirma as nossas suspeitas em relação a  ARTPOP: as que apontam para um álbum que casa harmoniosamente melodias Pop com batidas electrónicas. Ironicamente, quando Gaga sussurra, lembra Madonna no seu período áureo de “Erotica” e “Justify My Love”– o que, atenção, não significa que esteja a copiá-la, mas que simplesmente compreende o poder que esse registo de voz tem de captar a nossa atenção.

Talvez por isso o ambiente cúmplice, sensual e intimista de “Sexxx Dreams” faça dela uma das faixas melhor conseguidas, com uma produção de entrada que lembra algumas das melhores experiências que agora se fazem no departamento do tech house, para desembocar num refrão dance contagiante.

No entanto, ARTPOP não está isento de falhas, como, por exemplo, ” Jewels n’ Drugs (feat. T.I., Too Short and Twista)”. É uma das músicas mais fracas, em que Gaga sucumbe à facilidade do hip hop de digestão fácil e aos elementos da electrónica contemporânea, particularmente do drum&bass e do dubstep. Em suma, se não gostam de “23”, parceria entre Mike WiLL Made-It, Miley Cyrus, Wiz Khalifa e Juicy J, é melhor manterem-se afastados destas “Jewels n’ Drugs”.

Já “Manicure” marca o regresso ao tom descontraído e até divertido do álbum, celebrando a feminilidade e funcionando como hino à sedução – invocando, para esse efeito, as comodidades que a sociedade de consumo nos vende como sendo femininas: perfume, maquilhagem, vestido e cabelos.

Há ainda espaço para uma faixa sobre Donatella Versace, que a própria aprova, tendo agradecido a Lady Gaga pela sua criação, criatividade e atitude.

Para o fim são remetidas as músicas à base de piano, “Dope” e “Gypsy”, em que a voz de Gaga surge mais crua e menos eclipsada pela produção.

Por fim, o merecido “Applause”. A faixa celebra um dos temas de eleição da artista: a fama e a falta que os fãs lhe fazem – sendo marcada por uma sonoridade 8 bit e uma crítica aos críticos que faz com que a melodia nos fique na cabeça.

Menos político do que Born This Way, ARTPOP cumpre com competência o seu propósito: entretém, seduz e faz-nos dançar, equilibrando melodias que já provaram que funcionam com batidas electrónicas contemporâneas – a fórmula de sucesso Pop actual, portanto.

Não é exactamente inovador mas reflecte Gaga na qualidade de Frankestein Pop, “composto por recortes audiovisuais de vários outros artistas, não só os óbvios da música – Madonna, Michael Jackson, Kylie Minogue, David Bowie, Björk, Grace Jones, Róisín Murphy etc etc etc”.

Numa entrevista recente, Lady Gaga revelou que a sua ambição nunca foi dominar o mundo mas sim mudar o mundo. Em Born This Way, a cantora tentou mudá-lo. Com ARTPOP, Gaga está no rumo certo para voltar a dominá-lo.

Por Margarida Cunha

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s