Especial 5º Aniversário – 5 Momentos Marcantes na História da RTRO (Escolhas de uma Editora)

Passaram 5 anos desde que decorreu, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, a reunião que viria a lançar as bases daquela que é hoje a RTRO. Parece pouco tempo para uma revista mas é de facto muito para um projecto que nasceu académico e que se foi descobrindo aos poucos.

 rtro 5 momentos marcantes na historia da rtro crop

Como um verdadeiro ícone, na bagagem a RTRO já leva tantas mudanças de visual como Madonna e tantas entradas e saídas de gente como uma equipa de futebol. Presente desde o número 1, tive (e continuo a ter) o privilégio de ver esta menina a transformar-se numa mulher. Um dia, ela há-de pedir-me para lhe comprar o vestido para o baile de finalistas.

Até lá, e na edição que comemora o 5º aniversário da RTRO, partilho convosco os 5 momentos que mais me marcaram desde que cá cheguei.

 

A “rtrô” sai do armário

A 15 de Dezembro de 2009 recebo um email do GACCUM (Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho). Estão à procura de colaboradores que gostem de escrever e que queiram fazê-lo para uma publicação mensal de Moda. Uma ideia que me pareceu interessante mas ainda um pouco vaga. Descubro que afinal a iniciativa partiu de um aluno brasileiro de Erasmus, Gustavo Stevanato, que viria a apresentar formalmente o projecto 10 dias depois. O conceito? Uma revista de nome “rtrô”, orientada pelas Doutoras Gabriela Gama e Maria Zara Coelho, numa abordagem que propõe, segundo o próprio Gustavo, uma “visão séria e académica da moda, ‘mais conteúdo, menos oba-oba e babado fashion’.

 rtro #1 contracapa

E eis que, a 30 de Janeiro, é divulgado no blog o primeiro número da RTRO. Com apenas 5 páginas, e sob a assinatura “O clima é vintage, o visual é retro”, a “rtrô” surge salpicada de molho de tomate, protagonizada pelo ensaio provocador de Stevanato, “Sobre coisas belas e sujas”. Um desafio ao olhar comum, ao gosto massivo e às definições pré-enraizadas sem digestão. O meu percurso na revista começava, no papel de editora/ revisora. Com o entusiasmo característico de um projecto experimental, a “rtrô” saiu do laboratório.

O meu primeiro artigo

Em Março de 2010, e já sob a orientação da Catarina Oliveira, é produzida a primeira “rtro” – a saída do Gustavo da liderança significou o aportuguesamento da palavra, caindo o acento circunflexo. Dedicada à Música, a edição de Abril vê nascer o meu primeiro artigo: “Music & Fashion”, um ensaio acerca da relação de reciprocidade entre ambas as áreas. Na capa encontrava-se a nossa colega e colaboradora, Mariana Sousa Santos, inspirada por elementos rock.

rtro #2 music & fashion

O meu entusiasmo pela música – particularmente pela electrónica, que estava a descobrir – viria a inspirar uma rubrica para as edições seguintes – “Artista do Mês” – em que apresentei nomes emergentes em dose dupla: Justice, The Bloody Beetroots e Modeselektor encheram a RTRO de batidas efervescentes e irreverência.

Hoje, a Catarina e a Mariana procuram outros palcos: a primeira em Inglaterra; a segunda em Itália.

 

O meu primeiro número como editora

A 1 de Setembro de 2010 surge no Facebook da “rtro” um anúncio: “RTRO procura novo/a Editor/a-Chefe. REQUISITOS: * experiência na Rtro ou numa revista de moda; *aluno do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (preferencialmente +2º ano). Interessados contactem-nos para o nosso email: rtro.magazine@ymail.com. É um cargo de grande responsabilidade e requer o cumprimento de prazos restritos, mas bastante gratificante.”

rtro procura editora facebook

2 dias depois, enviei um email à Catarina, candidatando-me à posição. E aqui tenho ficado até hoje. A 6ª edição, a de Novembro de 2010, marca assim o início do meu percurso como editora da RTRO. Maquilhada por um lápis preto que a atravessava da capa à contra-capa, a revista surgiu com uma nova paginação, uma experimentação trabalhosa da nova paginadora, Cátia Sá.

Foi um período de transição, um Outono que significou uma verdadeira rentrée para a RTRO. No meu primeiro editorial, podia ler-se: “A nossa presença na cena mediática é curta. Mas revelámo-nos bons estudantes porque passámos em exames importantes e retirámos algumas lições. E queremos continuar a aprender.”

Estilo Manuelino

Um dos aspectos mais interessantes de frequentar a universidade é que nunca se sabe com quem poderemos cruzar-nos nem que marca poderão deixar nas nossas vidas. Um cliché que nos é vendido quando ainda frequentamos o liceu e que só se materializa quando, anos depois de termos terminado o curso, constatamos que há pessoas que continuam por cá, a fazer parte do nosso quotidiano. É assim que surge a participação do Manuel na RTRO. Meu colega de Mestrado, e formado em Audiovisual, o “Manel” ficou a conhecer a RTRO nos intervalos das aulas e prontificou-se a paginá-la enquanto, aos poucos, a formação inicial da revista se ia desfazendo.

estilo manuelino rtro

A sua entrada na RTRO, na edição de Abril de 2011, é considerada, por mim, um momento marcante porque representa um período de transição, ao nível da identidade visual da revista. A RTRO amadurece, solta-se da meninice e torna-se mais leve. Os textos surgem mais soltos, as imagens ganham destaque, o equilíbrio parece cada vez mais próximo.

O “estilo manuelino” é difícil de caracterizar mas fácil de identificar: basta pegarem numa qualquer edição da RTRO a partir do nº9. Verão que há pequenos traços que surgem, formas que se metamorfoseiam e elementos subtis que são introduzidos aqui e ali. São os frutos do experimentalismo. Mas a essência do estilo manuelino mantém-se. Felizmente, até hoje.

A maior edição de sempre

Com mais de 140 páginas, a RTRO de Setembro-Outubro de 2013 foi a nossa maior de sempre. Um número à altura de um autêntico “September issue” e, provavelmente, a minha edição favorita da revista. Neste número, foi conseguida uma RTRO verdadeiramente completa, com todas as rubricas que criámos aos poucos – Focus on Designers, Color Me, Smells Like…, It Girl, Blogger Chat… A essas rubricas foram acrescentados artigos pertinentes das áreas (e abordagens) mais diversas, da Moda à Arte, passando pela Beleza ou a Música. Um feito aparentemente simples para qualquer revista profissional mas que requer um esforço mais do que redobrado, quando produzido nos tempos livres por colaboradores movidos apenas pelo vapor da paixão pela escrita e pela fotografia.

O Verão e o início do Outono de 2013 foram períodos culturalmente relevantes e isso é perceptível nas páginas da revista. Ora, o que poderia ser mais compensador para uma publicação do que a capacidade de reflectir o seu tempo?

RTRO #23 - Da Arte e da Pop - O Lugar de Gaga - 1

A título pessoal, a edição #23 encontra-se igualmente revestida por um significado especial, na medida em que inclui três dos artigos mais maduros que assinei até hoje. Desde miúda que tenho um grande fascínio pelo pulsar da cultura Pop e ter a oportunidade de reflectir sobre a mesma é um privilégio que exercito ocasionalmente na RTRO. Ora, 2013 foi o ano em que Miley se reinventou, Gaga regressou e Robin Thicke (entretanto fadado ao esquecimento) pisou a(s) linha(s). Foram três momentos aparentemente normais para uma indústria que vive de excessos e regressos, mas que desencadearam debates em larga escala, que em muito ultrapassaram as fronteiras da música. Nesses meses, a Internet discutiu sobre sexualidade, emancipação feminina, autenticidade, rivalidade, vulgaridade, consentimento sexual, etc. Estes três artigos pretenderam funcionar como um eco dessas discussões, elevando um pouco a fasquia das perguntas que se levantavam. Três artigos em que as conclusões e novas perguntas se impunham à medida que teclava, desencadeando aquela euforia viciante de quem faz o que gosta. Três artigos em que consegui fundir duas das paixões que me acompanham desde que me lembro de ser gente: ouvir e escrever.

Por Margarida Cunha, in RTRO #31, que pode ser lida na íntegra aqui.

rtro 31 capa

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s